Home
04/02/2026
Dominar a ortografia representa desafio constante para estudantes de todas as idades. Equívocos na grafia das palavras surgem por diversos motivos - desde confusões entre sons semelhantes até desconhecimento de regras específicas. Identificar os erros mais frequentes e compreender suas causas facilita o processo de aprendizagem e contribui para o desenvolvimento de uma escrita mais precisa e confiante.
Um dos tropeços mais comuns na escrita envolve palavras que soam de forma semelhante mas possuem grafias e significados diferentes. O par "mal" e "mau" exemplifica essa dificuldade - o primeiro indica algo feito de forma inadequada ou funciona como antônimo de bem, enquanto o segundo qualifica algo de má qualidade ou atua como antônimo de bom. A confusão surge porque ambos têm pronúncia similar em muitas regiões do país.
Situação parecida ocorre com "há" e "a". A primeira forma, do verbo haver, indica tempo passado ou existência, como em "há dois anos". Já "a" funciona como preposição indicando distância futura, como em "daqui a duas horas". Essa diferenciação exige atenção ao contexto da frase para escolher a grafia adequada.
As palavras "sessão", "seção" e "cessão" também geram dúvidas frequentes. A primeira refere-se a um período de tempo dedicado a determinada atividade, a segunda indica divisão ou departamento, e a terceira significa ato de ceder. Embora pronunciadas de forma idêntica em boa parte do Brasil, seus significados distintos exigem grafias específicas. "Ortografia correta não resulta apenas de memorização mecânica de regras", observa Andressa Côrtes, diretora pedagógica do Centro Educacional Pereira Rocha, de São Gonçalo (RJ). "A compreensão dos significados e do contexto em que as palavras aparecem facilita muito o processo de escrita adequada", afirma.
As regras de acentuação representam outro ponto de grande incidência de erros. Muitos estudantes confundem-se ao diferenciar palavras oxítonas, paroxítonas e proparoxítonas, esquecendo quando aplicar acentos agudos, circunflexos ou til. Palavras como "saúde", "país" e "baú" recebem acento porque formam hiatos - encontro de vogais pronunciadas em sílabas separadas.
A distinção entre acento agudo e circunflexo também gera equívocos. O primeiro marca vogal tônica aberta, como em "café" e "até", enquanto o segundo indica vogal tônica fechada, como em "você" e "avô". Essa diferença relaciona-se à forma como pronunciamos as palavras, o que explica variações regionais na percepção da necessidade de acentuação.
Palavras homônimas que se diferenciam apenas pelo acento merecem atenção especial. "Pôr" (verbo) e "por" (preposição), "pára" (verbo parar no presente) e "para" (preposição ou verbo no imperativo) exigem cuidado redobrado. Com o Acordo Ortográfico, algumas dessas distinções foram eliminadas, como no caso de "para", que perdeu o acento em todas as situações, mas outras permaneceram.
A língua portuguesa apresenta várias letras que podem representar o mesmo som em diferentes contextos, gerando confusão na escrita. O som de "s", por exemplo, pode ser grafado com s, ss, c, ç, sc, x ou z, dependendo da palavra e de sua posição. Palavras como "exceção", "sessão", "cassação" e "ação" ilustram essa variedade.
O som de "z" também admite diferentes representações gráficas. Pode aparecer como z em "realizar", como s em "casa", como x em "exame" ou como j em algumas palavras de origem estrangeira. A escolha correta depende da etimologia da palavra e de regras específicas que nem sempre seguem padrão intuitivo.
As letras g e j diante das vogais e e i causam dúvidas frequentes. Palavras como "tigela" e "tijolo", "berinjela" e "gelo" demonstram que não há regra simples que determine qual letra usar - é necessário conhecimento específico de cada palavra ou de famílias de palavras relacionadas.
As mudanças introduzidas pelo Acordo Ortográfico em relação ao uso do hífen continuam gerando incertezas mesmo anos após sua implementação. A nova regra estabelece que não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da que inicia a segunda palavra, como em "autoescola" e "extraoficial", mas mantém o hífen quando as vogais são iguais, como em "anti-inflamatório" e "micro-ondas".
Prefixos como "anti", "super", "inter" e "hiper" seguem regras específicas que muitos ainda não dominam completamente. "Supersônico" não tem hífen, mas "super-homem" tem. "Antissocial" perdeu o hífen, mas "anti-higiênico" o manteve. Essas sutilezas exigem consulta frequente às novas normas ou a dicionários atualizados.
Algumas palavras simplesmente fogem aos padrões mais comuns da língua e precisam ser memorizadas. "Exceção" e suas derivadas, "privilégio", "beneficente", "meteorologia" e "reivindicar" estão entre os termos que frequentemente aparecem grafados incorretamente porque contêm sequências de letras que contrariam a expectativa dos estudantes.
Palavras de origem estrangeira incorporadas ao português também geram dúvidas. "Show", "shopping", "online" e "smartphone" mantiveram suas grafias originais, enquanto outras foram aportuguesadas, como "futebol" (do inglês football) e "abajur" (do francês abat-jour). Não há regra fixa que determine quando ocorre a adaptação, o que exige atenção individual a cada caso.
A leitura regular e diversificada representa a ferramenta mais poderosa para desenvolver ortografia correta. Exposição frequente a textos bem escritos cria familiaridade visual com as palavras, facilitando o reconhecimento de grafias adequadas mesmo sem conhecimento consciente das regras que as sustentam.
A prática constante de escrita, seguida de revisão cuidadosa, também contribui significativamente. Escrever pequenos textos diariamente, seja em diários pessoais, mensagens ou exercícios específicos, e depois reler procurando possíveis erros desenvolve autocorreção e consciência ortográfica.
"Manter um caderno com palavras que costumam gerar dúvidas pessoais ajuda muito", completa Andressa Côrtes. "Cada pessoa tem suas dificuldades específicas, e identificá-las permite estudo direcionado e mais eficiente."
Consultar dicionários regularmente, seja em formato físico ou digital, não deve ser visto como sinal de fraqueza, mas como hábito saudável de quem valoriza a escrita correta. Aplicativos e ferramentas de correção ortográfica automática ajudam a identificar erros, mas é fundamental compreender por que a palavra estava incorreta para evitar repetição do equívoco.
Exercícios específicos focados nas dificuldades individuais produzem resultados mais rápidos que revisões gerais de todas as regras ortográficas. Identificar os tipos de erro que você comete com mais frequência e dedicar tempo extra a essas áreas acelera o progresso.
A ortografia correta não se desenvolve da noite para o dia. Exige exposição constante à língua escrita, prática regular e atenção aos próprios padrões de erro. Com dedicação sistemática e uso das estratégias adequadas, é possível superar as principais dificuldades e desenvolver escrita cada vez mais precisa e confiante.
Para saber mais sobre ortografia, visite https://mundoeducacao.uol.com.br/gramatica/ortografia.htm#:~:text=A%20ortografia%20%C3%A9%20fundamental%20para,facilitando%20o%20entendimento%20dos%20textos. e https://noticiasconcursos.com.br/a-importancia-da-ortografia-em-lingua-portuguesa/