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Quando a preocupação se torna um obstáculo: ansiedade e vida escolar

Ansiedade infantil: como identificar e apoiar seu filho na escola

14/01/2026

Os transtornos de ansiedade representam os problemas psiquiátricos mais frequentes entre crianças e adolescentes, atingindo entre 10% e 15% dessa população. Meninas apresentam maior incidência que meninos, e os sintomas variam conforme a idade e o tipo específico de transtorno. Reconhecer esses sinais precocemente faz diferença fundamental no desenvolvimento emocional e acadêmico dos jovens.

A ansiedade funciona como resposta natural a situações percebidas como desafiadoras. Em níveis adequados, prepara o cérebro para enfrentar obstáculos. O problema surge quando essa reação se torna persistente e intensa, comprometendo atividades cotidianas e provocando sofrimento real. Mudanças na rotina, pressões acadêmicas e experiências sociais costumam desencadear esses quadros na infância e adolescência.


Manifestações físicas e emocionais

Crianças ansiosas demonstram sintomas que vão além da preocupação excessiva. Alterações comportamentais incluem irritabilidade, apatia e retraimento social. Algumas desenvolvem comportamentos agressivos como forma de expressar desconforto emocional. Dores de cabeça, náuseas, tonturas e taquicardia representam manifestações físicas frequentes, assim como dificuldades respiratórias durante episódios de maior tensão.

Os hábitos diários também sofrem impacto. Insônia e pesadelos passam a ser recorrentes, enquanto o apetite apresenta alterações significativas. "Observamos que muitas famílias chegam até nós relatando queixas físicas repetidas, sem causa médica aparente. É fundamental compreender que a ansiedade se manifesta no corpo da criança de formas muito concretas", explica Andressa Côrtes, diretora pedagógica do Centro Educacional Pereira Rocha, de São Gonçalo (RJ).

A antecipação negativa de eventos caracteriza outro aspecto marcante. Provas escolares, apresentações em público e trabalhos em grupo provocam reações desproporcionais ao desafio real. Vômitos e dores abdominais antes de situações de exposição podem indicar fobia social ou ansiedade de desempenho.


Consequências na aprendizagem

O rendimento acadêmico sofre impacto direto da ansiedade. A dificuldade de concentração durante as aulas impede o aproveitamento adequado dos conteúdos. Participar de atividades coletivas torna-se tarefa árdua, e completar tarefas dentro dos prazos exige esforço desproporcional. A pressão por resultados, somada à insegurança sobre as próprias capacidades, gera ciclo de autocrítica e baixa autoestima.

Transtornos específicos como fobia social e mutismo seletivo exemplificam casos extremos. Responder perguntas em sala, interagir com colegas ou participar de dinâmicas grupais torna-se praticamente impossível sem apoio especializado. O isolamento resultante diminui oportunidades de aprendizado colaborativo e desenvolvimento de habilidades sociais essenciais.

Sem intervenção adequada, estabelece-se círculo vicioso: a queda no desempenho aumenta a ansiedade, que por sua vez prejudica ainda mais o rendimento. Esse padrão pode acompanhar o estudante por anos, comprometendo não apenas resultados acadêmicos, mas também a relação com o conhecimento e com o ambiente escolar.


Fatores desencadeantes

Múltiplos elementos contribuem para o surgimento de quadros ansiosos na infância. Mudanças significativas na rotina, como início da vida escolar, mudanças de residência ou separação dos pais, representam gatilhos comuns. A busca por aceitação entre os pares e situações de bullying exercem pressão social considerável sobre crianças e adolescentes.

O ambiente familiar desempenha papel crucial. Conflitos domésticos e a presença de pais ansiosos aumentam a vulnerabilidade emocional dos filhos. Estudos demonstram que crianças cujos responsáveis apresentam transtornos de ansiedade têm maior probabilidade de desenvolver o problema, evidenciando tanto componentes genéticos quanto comportamentais aprendidos.

Traumas e experiências negativas, incluindo episódios de violência, abusos ou perdas significativas, podem desencadear quadros duradouros. A pandemia de COVID-19 intensificou essa realidade, com o isolamento social e as incertezas sanitárias provocando aumento expressivo nos casos de ansiedade infantil.


Caminhos para o enfrentamento

Reduzir a ansiedade na infância exige abordagem integrada. Fortalecer vínculos familiares cria base segura para que a criança se sinta compreendida e amparada. Demonstrar empatia e praticar escuta ativa fazem diferença concreta no dia a dia. Rotinas saudáveis, com horários regulares para alimentação, sono e lazer, proporcionam sensação de previsibilidade essencial para jovens ansiosos.

Atividades físicas regulares reduzem níveis de estresse e promovem bem-estar emocional comprovado. Técnicas de relaxamento, como exercícios de respiração, meditação e mindfulness, oferecem ferramentas práticas para momentos de tensão. Ensinar a criança a identificar e nomear sentimentos ajuda na regulação emocional.

O apoio profissional torna-se necessário em casos persistentes. A terapia cognitivo-comportamental apresenta resultados eficazes no tratamento de transtornos de ansiedade. Situações mais graves podem demandar medicamentos prescritos por especialistas. O diagnóstico precoce é crucial: quanto antes identificado o problema, mais rápidos e eficazes tendem a ser os resultados do tratamento.


Parceria entre família e escola

O ambiente escolar pode desempenhar papel importante no suporte emocional aos estudantes. Identificar sinais de ansiedade, promover inclusão e estimular diálogo aberto sobre sentimentos contribui para clima acolhedor. O envolvimento dos pais no processo é indispensável, pois funcionam como principais modelos de comportamento.

Cuidar da saúde emocional dos adultos da família representa medida preventiva significativa. Pais que buscam tratamento para suas próprias questões de ansiedade oferecem exemplo de autocuidado e quebram ciclos intergeracionais de sofrimento emocional. A parceria efetiva entre responsáveis e educadores amplia as possibilidades de apoio integral à criança.

Para saber mais sobre ansiedade, visite https://vidasaudavel.einstein.br/ansiedade-em-criancas/ e https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/ansiedade-em-criancas-como-reconhecer-os-sintomas/

 


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