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11/05/2026
O celular passou a ocupar um espaço importante na rotina de crianças e adolescentes, inclusive no ambiente escolar. Quando usado sem controle durante aulas, intervalos e atividades pedagógicas, o aparelho pode prejudicar a concentração, reduzir a participação dos alunos e interferir na convivência entre colegas.
A discussão ganhou força com a Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes da educação básica. A norma vale para escolas públicas e privadas e prevê exceções para uso pedagógico orientado, acessibilidade, saúde e situações de emergência.
O objetivo da medida é reduzir distrações e favorecer um ambiente mais adequado ao aprendizado. Isso não significa tratar a tecnologia como inimiga da educação, mas definir quando, como e com qual finalidade ela deve ser utilizada dentro da escola.
O uso frequente do celular afeta uma das condições centrais para a aprendizagem: a atenção. Mensagens, notificações, vídeos curtos, jogos e redes sociais competem diretamente com a explicação do professor, a leitura, a resolução de exercícios e a participação em discussões.
Mesmo quando o aluno não acessa o aparelho, a expectativa de receber uma mensagem ou verificar uma atualização pode gerar dispersão. A concentração passa a ser interrompida várias vezes, e o estudante tem mais dificuldade para acompanhar uma sequência de raciocínio, concluir uma tarefa ou registrar informações importantes. “Quando o aparelho deixa de disputar a atenção do aluno durante a aula, o professor consegue conduzir melhor as atividades e o estudante tem mais condições de acompanhar o conteúdo”, afirma Andressa Côrtes, diretora pedagógica do Centro Educacional Pereira Rocha, de São Gonçalo (RJ). Ela observa ainda que a restrição ao celular precisa ser compreendida como uma medida de organização da rotina escolar.
A queda no rendimento nem sempre aparece de forma imediata. Em muitos casos, ela surge aos poucos, com tarefas incompletas, menor participação, dificuldade de memorização e perda de interesse por atividades que exigem leitura, escrita ou resolução de problemas.
A presença do celular também interfere nos momentos de convivência. Durante recreios e intervalos, o uso constante do aparelho pode reduzir conversas, brincadeiras, atividades coletivas e interações espontâneas. Esses momentos são importantes para o desenvolvimento de habilidades sociais, como escuta, negociação, cooperação e resolução de conflitos.
Sem o celular como principal ocupação, a escola pode observar maior circulação dos alunos pelos espaços comuns e mais contato entre colegas. A mudança, porém, exige adaptação. Alguns estudantes podem sentir desconforto no início, especialmente quando estão acostumados a preencher qualquer pausa com o aparelho.
Esse processo precisa ser acompanhado por adultos. A restrição funciona melhor quando vem acompanhada de orientação clara, regras conhecidas e alternativas de convivência. A escola deve explicar os motivos da norma e mostrar que o intervalo também faz parte da formação dos alunos.
A restrição não elimina a possibilidade de uso pedagógico da tecnologia. Em determinadas situações, o celular pode ser usado para pesquisas orientadas, registros de atividades, produção de vídeos, leitura de códigos, acesso a plataformas educacionais e outras propostas planejadas pelo professor.
A diferença está na finalidade. Quando o uso é orientado, tem duração definida e está ligado ao conteúdo, o aparelho pode funcionar como recurso didático. Quando fica disponível o tempo todo, sem objetivo claro, tende a se transformar em fonte de distração. “O ponto principal é a intencionalidade. A tecnologia pode contribuir para a aprendizagem quando há planejamento, supervisão e relação direta com a atividade proposta”, avalia Andressa Côrtes.
Essa distinção ajuda a evitar dois extremos: liberar o uso sem critérios ou proibir qualquer contato com recursos digitais. A escola precisa estabelecer regras consistentes, mas também preparar os alunos para lidar com a tecnologia de forma responsável.
A mudança no ambiente escolar depende também da participação das famílias. Se o aluno passa muitas horas conectado fora da escola, a restrição durante o período letivo pode ser recebida com mais resistência. Por isso, os responsáveis precisam acompanhar o uso do celular em casa e estabelecer combinados possíveis de cumprir.
Horários para estudo, refeições sem telas, limites antes de dormir e momentos de lazer offline ajudam a construir uma relação mais equilibrada com a tecnologia. O exemplo dos adultos também interfere nesse processo. Quando pais e responsáveis usam o celular durante conversas, refeições e atividades familiares, a orientação perde força.
O diálogo deve incluir o que o aluno acessa, com quem conversa, quanto tempo permanece online e como reage quando precisa ficar longe do aparelho. Irritação intensa, ansiedade, dificuldade para dormir e queda no rendimento podem indicar uso excessivo e necessidade de acompanhamento mais próximo.
A restrição ao celular tende a funcionar melhor quando todos conhecem as regras. Alunos, famílias, professores e funcionários precisam saber onde o aparelho deve ficar, em quais situações pode ser usado e quais são as consequências em caso de descumprimento.
A aplicação da norma exige constância. Regras que mudam de acordo com a turma, o professor ou o dia da semana geram dúvidas e conflitos. Também é importante que a escola mantenha canais de comunicação com as famílias para situações urgentes, reduzindo a justificativa de que o aluno precisa ficar com o aparelho disponível o tempo todo.
A adaptação pode ser gradual, mas precisa ser acompanhada de orientação. Ao retirar o celular da rotina escolar, a escola cria melhores condições para atenção, participação e convivência. O acompanhamento dos adultos deve observar mudanças no comportamento, no rendimento e na forma como os alunos lidam com limites no uso da tecnologia.
Para saber mais sobre celular, visite https://www.techtudo.com.br/guia/2025/01/lei-que-proibe-celular-nas-escolas-tudo-que-voce-precisa-saber-a-respeito-edmobile.ghtml e https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/proibicao-do-celular-na-escola-e-para-melhorar-a-aprendizagem-diz-mec/